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Pichadora de Direito é suplente de vereador do PT



Pichadora e estudante de Direito, Maira Machado Frota Pinheiro é filiada ao PT

No dia em que foi publicado no Diário Oficial de São Paulo o decreto que regulamenta a lei do programa de combate a pichações, uma mulher foi detida em flagrante sujando o muro de um estacionamento. Foram guardas civis metropolitanos que, às 3h deste sábado (4), flagraram a estagiária de direito Maíra Pinheiro pichando o muro.

Os guardas civis contaram que outras quatro pessoas acompanhavam Maíra, mas só ela foi detida porque estava com a lata de spray. Todos foram levados para a Delegacia do Brás e liberados em seguida. O SPTV tentou falar com a Maíra, mas uma amiga dela disse que, por enquanto, ela não vai se manifestar.

Maíra foi candidata a vereadora nas últimas eleições e é suplente pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Ela foi enquadrada na Lei de Crimes Ambientais e multada pela prefeitura com base na nova lei, aprovada no mês passado pela Câmara Municipal e sancionada pelo prefeito João Dória, que falou sobre o caso. "Vai ter de pagar uma multa de R$ 5 mil e se não pagar vai ter de fazer trabalho de pintura e de restauro", disse ele.

A pichação começou na Praça Vladimir Herzog, ao lado da Praça das Bandeiras, no Centro. Alguns metros depois, outra. Foi no muro de um estacionamento particular, na Rua Santo Antonio, na Bela Vista, em frente ao estacionamento da Câmara Municipal.

Na delegacia, Maíra não admitiu que estivesse pichando o muro, mas junto com ela foi apreendida uma lata de spray. Ela assinou um documento se comprometendo a comparecer ao Tribunal de Justiça para se explicar a um juiz de 1ª instância.

Em nota, a estudante falou sobre a detenção. Veja abaixo a íntegra do documento:

"Nessa madrugada, fui detida pela Guarda Civil Metropolitana no Centro de São Paulo acusada de pixação. Todos os dias jovens são abordados e perseguidos pelas forças de repressão do Estado. Gente que tem sua cara pintada com tinta, que passa por todo tipo de agressão e humilhação por expressar uma cultura que é da rua e por isso é margilizada. Dificilmente esse tipo de história teria a repercussão que meu caso vem tendo.

Por ser uma mulher branca, estudante de direito e com fácil acesso à assistência juridica, tive maiores possibilidades de me defender de possíveis abusos. Ainda assim, durante a abordagem, no trajeto até o Distrito Policial e durante o registro da ocorrência, fui intimidada, constrangida e assediada.

Minha militância sempre teve como foco a defesa das mulheres e da juventude. Por ter ousado me engajar politicamente, também tenho minha imagem mais exposta.

É muito conveniente para a gestão Dória e seu projeto higienista de cidade fazer do meu caso punição exemplar. Reduz-se a discussão a um suposto dano ao patrimônio, jogando uma cortina de fumaça sobre o racismo e o classismo que motivam a perseguição aos pixadores e grafiteiros e à cultura de rua como um todo."