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Juiz marca audiência de Edílson em processo sobre fraudes em loterias


Ele e mais 5 réus serão ouvidos por videoconferência no dia 10 de agosto. Segundo o MPF-GO, ex-jogador aliciava gerentes da Caixa para golpes.


Ex-jogador Edílson é reu em processo sobre fraudes em loterias (Foto: Vanessa Martins/G1)

O juiz federal Rafael Ângelo Slomp marcou para o dia 10 de agosto deste ano, às 14h, a audiência de instrução do processo no qual o ex-jogador da seleção brasileira Edílson da Silva Ferreira, o Edílson Capetinha, é acusado de integrar uma quadrilha especializada em fraudar pagamentos de prêmios de loterias da Caixa Econômica Federal (CEF). O esquema foi descoberto na Operação Desventura, deflagrada em setembro de 2015.

Na decisão, publicada no último dia 2 de fevereiro, o juiz determinou que na mesma audiência de instrução sejam ouvidos, todos via videoconferência, com apoio das Seções Judiciárias de Anápolis, Salvador (BA) e Distrito Federal, outros cinco réus: André Luiz Sandre Abraão, Eduardo Daniel Lucena dos Santos, Leonardo do Rêgo Santos, Paulo Roberto Castro Santana e Saulo Santos de Oliveira. Além deles, outras dez pessoas foram denunciadas pelo esquema, mas os processos seguem separadamente.

Durante as tratativas do processo, que corre na 11ª Vara Federal em Goiânia, as defesas dos acusados alegaram que a ação penal não tinha justa causa, que ela era inépcia, ou seja, não tinha os requisitos legais, e que os réus poderiam ser absolvidos antecipadamente. Slomp destacou que “as alegações do Ministério Público Federal (MPF) estão embasadas em provas colhidas durante o inquérito policial. Não há dessa forma, motivo para abortar a persecução criminal dos fatos em destaque”. O magistrado também ressaltou que os “fatos criminosos e respectivas circunstâncias foram satisfatoriamente expostos, de modo a possibilitar aos acusados a ciência dos fatos que lhes são atribuídos, possibilitando-os o exercício da ampla defesa”.

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Um dia antes da oitiva dos réus, ou seja, no dia 9 de agosto deste ano, também via videoconferência, com apoio das Seções Judiciárias de Salvador e Alagoinhas (BA), serão ouvidas as testemunhas intimadas pelo MPF, assim como aquelas convocadas pelas defesas.

O G1 tentou contato com Edílson, desde a manhã desta terça-feira (7), mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem. No entanto, no último dia 5 de março do ano passado, quando participou de um de futevôlei em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, o ex-jogador negou as acusações e disse que estava tranquilo em relação ao processo. “Fui envolvido por um telefonema, o que poderia acontecer com qualquer pessoa, estou disposto a ajudar. Já fui e dei o meu depoimento. Então, estou tranquilo e estou consciente de que eu não tenho nada a ver com a história. Isto é o mais importante”, afirmou.

Na ocasião, Edílson destacou que colaborou com as investigações. “Eu sempre deixei bem claro que estou aqui para ajudar nas investigações, em tudo direitinho. Acho que a investigação é benéfica. Acho que tem que investigar mesmo, qualquer pessoa, independente de quem seja. Mas estou com a consciência tranquila de que não tenho nada a ver”, ressaltou.

O G1 também tentou contato com o advogado de Edílson, Thiago Phileto, nesta manhã e início da tarde, mas as ligações também não foram atendidas.

A reportagem não conseguiu localizar as defesas dos demais réus do processo.

Denúncia A Justiça Federal acatou a denúncia contra Edílson e mais 15 por participação no esquema criminoso em fevereiro do ano passado. Segundo o procurador da República Hélio Telho, responsável pelas denúncias do MPF, os envolvidos se associaram para planejar e cometer as fraudes que renderam cifras milionárias. Edílson é apontado com um dos responsáveis por aliciar gerentes de bancos para a quadrilha. As investigações resultaram em três denúncias. Entre os crimes pelos quais os envolvidos respondem estão furto qualificado por fraude, estelionato, falsificação de documento público, tráfico de influência, corrupção ativa, crime contra a ordem tributária, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.


Durante jogo em Trindade, Edílson negou as acusações (Foto: Paula Resende/ G1)

A primeira denúncia foi aceita pelo juiz Leão Aparecido Alves, da 11ª Vara Federal, em 15 de outubro do ano passado, quando foram alvos cinco pessoas apontadas como integrantes da cúpula da quadrilha: Eduardo Pereira dos Santos, Arcanjo Jorge Peralta, Hernane de Araújo Lima, Leandro de Carvalho Oliveira e Sinomar José da Silva. Todos foram presos durante a operação e, segundo a Justiça Federal, quatro deles permaneciam detidos até o último dia 2 de fevereiro. Em seguida, no dia 2 de dezembro do ano passado, o juiz Eduardo Pereira da Silva acatou a denúncia contra o grupo em que está o ex-jogador Edílson. Além dele, são alvos André Luiz Sandre Abraão, Eduardo Daniel Lucena dos Santos, Leonardo do Rêgo Santos, Paulo Roberto Castro Santana, Saulo Santos de Oliveira. Logo depois, no dia 4 de dezembro do ano passado, o mesmo magistrado acatou a denúncia contra outras cinco pessoas: Claudemário da Paixão Copque Costa, Jairo Dias de Souza, José Sukadolnik Filho, Ronaldo Antônio de Faria e Sílvio Felipe Dionízio. Escutas telefônicas O MPF-GO informou que o ex-jogador Edílson tinha um “relacionamento próximo” com um dos chefes da quadrilha. Ele foi flagrado em escutas telefônicas conversando com integrantes do grupo. “As conversas mostram que ele tinha um relacionamento próximo com um dos líderes, inclusive, de negócios. Mas a função do ex-jogador era apenas a de usar da fama e as grandes movimentações financeiras que fazia para aliciar gerentes do banco para as fraudes. Por isso, consideramos que ele atuava no escalão inferior da organização”, afirmou o procurador Hélio Telho.

Segundo ele, o ex-jogador foi flagrado em escutas, autorizadas pela Justiça Federal, no início do ano passado. “Nessas conversas ele recebe instruções de como deveria proceder para aliciar os gerentes”.

Advogado de Edílson, Thiago Phileto declarou na época que os outros denunciados se aproveitaram da fama do atleta para se beneficiar no esquema. "A denúncia é equivocada. O Edílson não faz parte disso, não se beneficiou ou auferiu vantagem ou lucro. Ele é inocente. Não tenho dúvida que ficará muito claro que o Edilson não facilitou nada para ninguém. O fato é que por ele ser famoso e ser assediado pelos envolvidos, acabou sendo incluído nesse processo", disse.


PF apreendeu cartões bancários com suspeitos de fraudes na loteria (Foto: Divulgação/Polícia Federal)

Operação Desventura A Operação Desventura foi deflagrada pela Polícia Federal no dia 10 de setembro do ano passado. No total, foram expedidos 54 mandados judiciais contra o grupo em Goiás, na Bahia, São Paulo, Sergipe, Paraná e no Distrito Federal. A assessoria da PF informou que foi cumprido um mandado de busca e apreensão na residência do ex-jogador, na Bahia. Mesmo assim, o próprio Edílson se dispôs a prestar esclarecimentos na sede da Polícia Federal em Goiás, estado que comanda a investigação. De acordo com a corporação, a investigação, iniciada em outubro de 2014, apontou que o esquema criminoso contava com a ajuda de correntistas da Caixa Econômica Federal, que eram escolhidos pela quadrilha por movimentar grandes volumes financeiros e que também seriam os responsáveis por recrutar gerentes do banco para a fraude. Ainda segundo a PF, quando os criminosos estavam de posse de informações privilegiadas, entravam em contato com os gerentes para que eles viabilizassem o recebimento do prêmio por meio de suas senhas, validando, de forma irregular, os bilhetes falsos.

"A fraude não estava no sorteio, ela estava na validação fraudulenta dos bilhetes. Qualquer bilhete premiado tem o prazo de 90 dias para ser retirado. O sistema da Caixa emitia um alerta quando faltam oito dias para prescrever esse bilhete. Com base nessas informações privilegiadas, servidores da Caixa repassavam quais seriam esses bilhetes para membros da quadrilha", explicou a delegada Marcela Rodrigues de Siqueira, logo após a deflagração da operação.

Na época da operação, a Caixa Econômica Federal informou que manteria “cooperação integral com as investigações”. A instituição destacou, ainda, que estava “tomando todas as providências de abertura de processos disciplinares, apuração de responsabilidades e afastamentos, nos casos de envolvimento de empregados do banco”. Financiamentos Segundo a delegada, o grupo também alterava o sistema do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de vários estado e conseguia retirar financiamentos ainda não quitados do registro de veículos.“De posse de informações sigilosas, eles obtinham senhas de gerentes específicos, entravam em um sistema que migra para o do Detran e, com isso, conseguiam tirar gravames de veículos de diversas instituições financeiras”, explicou.

Além disso, a delegada explicou que a quadrilha usava cartões do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e do ConstruCard, que é o financimento da Caixa para a compra de materiais de construção, para cometer o crime.

“A fraude não era estrutural, ela era na comprovação da obtenção do dinheiro nos estabelecimentos. Eles [quadrilha] entravam em contato com os comerciantes e empresários para passar esses cartões e simular compras inexistentes”, relatou.

Em nota enviada ao G1 no dia da deflagração da operação, a assessoria de imprensa do BNDES informou que buscava mais informações sobre a operação para avaliar quais as medidas cabíveis