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Ela é linda, sabe disso e vai tomar todas as suas fichas


Conheça Vivian Saliba, paulista que em um ano e meio deixou o pôquer como hobby para se tornar uma das melhores jogadoras do país


Vivian Saliba foi campeã paulista de Omaha em 2015 (Foto: Gustavo Mesa/Portal da Band)

Você entra em um clube de pôquer em São Paulo em um dia qualquer da semana. Dá uma olhada nas mesas, checa o perfil dos jogadores, procura um lugar para se sentar. Aí, em uma delas, avista uma linda morena, de 20 e poucos anos, cabelos longos, sorrisão no rosto. À frente dela, uma muralha de fichas. “Pronto, é aí que vou ganhar dinheiro esta noite”, é o que pode passar pela sua cabeça.

E assim você acaba de cruzar o caminho de Vivian Saliba, 23 anos, uma das melhores jogadoras de pôquer do Brasil. Apesar da pouca idade, ela já conseguiu resultados expressivos, como o título do Campeonato Paulista de Poker (CPH) na modalidade Omaha em 2015. No ano passado, Vivian se tornou a primeira mulher desde 2006 a vencer uma etapa de Texas Hold’Em do CPH, faturando R$ 65 mil em apenas um torneio.

Ao sentar-se à mesa dela, você provavelmente decretou sua noite de prejuízo. Afinal de contas, para ela, não é novidade chamar atenção no pôquer e ser alvo de outros jogadores. “As pessoas tendem a te confrontar mais na mesa e elas vão acabar jogando um pouquinho pior contra você, porque, como elas acham que você joga mal, elas tentam o tempo todo te perseguir”, afirmou Vivian em entrevista ao Portal da Band.

Da fossa às fichas

A trajetória de Vivian Saliba rumo às principais mesas de pôquer do Brasil e do mundo começou há cerca de 10 anos. Aos 12, em uma viagem de família, aprendeu as regras. Aos 17, quando andava “introspectiva” pelo fim de um namoro, foi com o pai à casa de amigos dele que jogavam sério. A experiência serviu não só para tomar o gosto pela competição, mas também para sair da fossa do término do relacionamento.

Daí, o passo seguinte foi participar de um campeonato. “Eu fiz um monte de atrocidades, eu era muito ruim, mas eu senti uma adrenalina, eu me diverti tanto, foi tão legal”, relembra sobre seu primeiro torneio. Mesmo com todas as “atrocidades” feitas, Vivian ainda conseguiu terminar na quinta colocação e premiar.

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Nos anos seguintes, o pôquer passou a ser um “hobby lucrativo” que, se ainda não servia de sustento, pelo menos gerava uma renda extra. Foi durante a faculdade que a Vivian se viu em uma encruzilhada. Há um ano e meio, ao arrumar um estágio, ela se encontrou impossibilitada de estudar Direito, trabalhar e ainda se dedicar ao pôquer – de onde ela inclusive tirava dinheiro para pagar o curso. Ao invés de processos e fóruns, Vivian preferiu se dedicar inteiramente às cartas e fichas.


Foto: Gustavo Mesa/Portal da Band

A decisão, é claro, foi recebida com desconfiança entre familiares e amigos. “Acho que todo mundo quando escuta a primeira vez tem uma estranheza e fala ‘você está louca’, ‘como é que vai parar tudo para jogar carta?’, ‘isso não vai te levar a lugar nenhum’”, descreveu Vivian. No entanto, não demorou para que a percepção com a nova carreira mudasse. “Conforme vão conhecendo um pouco mais, vendo os resultados, vendo a constância de ganhos, as pessoas começam a ser mais aceptivas”.

Mas o que significa ser jogador profissional de pôquer? No caso de Vivian, que não joga online, é, basicamente, ficar na mesa mais ou menos 10 horas por dia cerca de cinco ou seis vezes por semana. Em épocas de torneios grandes, ela chega a jogar 10, 15 dias consecutivos. Também é preciso ter uma rotina regrada de estudos. “As tendências mudam e existem pessoas que estudam o dia inteiro durante anos”, explicou. Além disso, ela também toma outros cuidados que trazem benefícios nas maratonas de pôquer, como se alimentar corretamente e praticar yoga.

A mulher da mesa

Que o ambiente do pôquer é bastante masculino não há dúvidas. O esporte é majoritariamente praticado por homens, tanto profissionalmente como de forma recreativa. Mas qual o percentual de mulheres em torneios de grande porte, por exemplo? Com a resposta, Igor “Federal” Trafane, presidente do Campeonato Brasileiro de Pôquer (BSOP).

“Não chega a 10%. Gira entre 5% e 10%. Como você vê isso? Você vai encontrar uma mulher a cada duas mesas. Deveria ser 50%, elas estão 10 vezes menores do que deveriam estar”, disse Federal em entrevista ao Portal da Band em Punta del Este, durante a primeira etapa da temporada 2017 do BSOP.

Vivian Saliba considera o ambiente do pôquer “machista, embora cada vez menos”. “No geral, 99% das vezes, não tem nenhuma saia justa, nenhuma indelicadeza. O máximo é alguém te perseguir um pouco mais na mesa, mas a gente sempre acaba levando um pouco na brincadeira”, relatou a jogadora.

Para ela, em geral, as pessoas ainda têm uma imagem ruim do pôquer. “Quem não conhece um pouco do pôquer, não tem um amigo ou familiar que joga, acha que é aquela coisa de filme, que é um ambiente pesado, com coisas ilícitas e que eu vou perder fazenda... Não é nada disso”.

Apesar da receptividade cada vez maior no ambiente do pôquer para as mulheres, Vivian diz já ter sofrido preconceito, às vezes até involuntário. “Quando eu fui campeã do ranking de Omaha, várias pessoas me perguntaram depois: ‘nossa, mas tinha homem competindo?’, ‘é um ranking feminino?’. E eu respondia: ‘não, é um ranking de pôquer, de Omaha, campeonato paulista e eu fui campeã’. Como se uma mulher não pudesse ser campeã de um ranking misto”.

Vivian defende torneios exclusivos para mulheres – como costuma acontecer no BSOP –, mas apenas como uma forma de entrada do público feminino no pôquer, em um ambiente que as deixe menos “acuadas”. No entanto, para ela, não há outro motivo para a separação dos sexos. “Eu não acho que seja melhor ter um ranking feminino, tem que ter um ranking de pôquer. Não é futebol, não é luta, não tem diferença de força. É mente”, concluiu.