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Ex-prefeito de Trindade, Ricardo Fortunato recebeu R$ 500 mil de caixa dois, diz delator


Verba teria sido repassada para a campanha das eleições municipais de 2012, com o intuito de favorecer a Odebrechet, em caso de vitória, na área de saneamento.


Ricardo Fortunato teria recebido R$ 500 mil em caixa dois, diz delator (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Ex-prefeito de Trindade, Ricardo Fortunato (PMDB) recebeu R$ 500 mil via caixa dois da empreiteira Odebrecht para sua campanha em 2012, segundo delação do executivo da empresa Alexandre José Lopes Barradas.

O valor, conforme o delator, que era diretor superintendente da Odebrecht Ambiental, tinha como objetivo garantir favorecimento do Grupo Odebrecht, em caso de vitória nas urnas, na área de saneamento básico. Na ocasião, Fortunato era o atual prefeito da cidade, localizada na Região Metropolitana de Goiânia. No entanto, ele foi derrotado nas eleições.

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), destacou em sua petição que o órgão não é o foro responsável para analisar o caso e o encaminhou à Justiça Federal em Goiás.

Em nota enviada ao G1, a assessoria de Ricardo Fortunato infomou que ele "desconhece a ajuda para campanha eleitoral e que todas as doações foram declaradas e aprovadas pelo TRE". Destaca ainda que o político não "participou da abertura do processo licitatório e muito menos da assinatura do contrato de concessão da subdelegação de esgoto" da cidade.

Segundo a nota, o contrato foi firmado entre Odebrecht, Saneago, Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (AGR) e o atual prefeito de Trindade, Jânio Darrot (PSDB). Ele foi eleito em 2012 e reeleito em 2016. De acordo com a assesoria de Fortunato, o acordo foi celebrado no dia 19 de julho de 2013, iniciando as atividades no dia 1 de novembro desse mesmo ano.

O G1 entrou em contato com as asssessorias da Saneago, da AGR e da prefeitura de Trindade e aguarda retorno.

Lista de Fachin

No total, a lista do ministro Edson Fachin cita 12 governadores, 24 senadores, 37 deputados, oito ministros e cinco ex-presidentes aparecem entre os citados pelos executivos da Odebrecht na maior delação da história do país. Confira a lista com todos os nomes.

Ricardo Fortunato é um dos sete políticos goianos citados na lista. Como ele não tem foro privilegiado, a investigação foi repassada para a Justiça Federal de Goiás. Em outras quatro situações, a apuração ocorrerá em outras instâncias.

Os únicos dois casos de goianos em que o ministro autorizou a investigação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi contra o deputado federal Daniel Vilela (PMDB) e o pai dele, Maguito Vilela (PMDB), que é ex-senador, ex-governador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia. Eles são suspeitos de receber dinheiro de campanha via caixa dois

Em nota conjunta, Maguito e Daniel negaram as acusações. "As campanhas de Maguito Vilela, em 2012, e de Daniel Vilela, em 2014, foram feitas inteiramente com recursos contabilizados conforme determina o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aprovadas pela referida Corte. As prestações de contas estão disponíveis no site do TSE. Maguito e Daniel afirmam que nunca estiveram, nunca falaram, e sequer conhecem os delatores. Ambos refutam qualquer acusação”, destacou o texto.

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), segundo delatores da Odebrecht, recebeu R$ 8 milhões em caixa dois para as suas campanhas ao Governo do Estado de 2010 e 2014. O objetivo da empresa era receber de Perillo, em caso de vitória, o favorecimento do grupo "na área de saneamento básico”. O caso seguiu para análise do STJ.

Em nota, a defesa do governador Marconi Perillo reitera que ele “só irá se manifestar após conhecimento integral do teor das declarações apresentadas”.

O texto diz “que, conforme já afirmado, o governador ressalta nunca pediu ou autorizou que solicitassem em seu nome qualquer contribuição de campanha que não fosse oficial e rigorosamente de acordo com a legislação eleitoral”.

Já o senador cassado Demóstenes Torres recebeu R$ 2 milhões da empreiteira Odebrecht em caixa dois para sua campanha em 2010, segundo delação.

A defesa de Demóstenes Torres destacou que o ex-senador “desconhece o teor das delações, mas pode afirmar que, independente do seu conteúdo, nunca recebeu qualquer doação sem a devida declaração eleitoral, lembrando que sua prestação de contas eleitoral foi aprovada integralmente. Está pronto para mais uma vez mostrar que sempre agiu dentro da legalidade e em respeito a seus eleitores".

O ex-deputado federal Sandro Mabel recebeu doações para a campanha em caixa dois, segundo colaboração premiada. Um dos delatores, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, disse que ele recebeu R$ 140 mil. No entanto, outros dois deleatores, João Antônio Pacífico Ferreira e Ricardo Roth Ferraz afirmaram que os repasses ao político, não declarados à Justiça Eleitoral, chegaram a R$ 100 mil.

O G1 tenta contato com Sandro Mabel, desde a tarde de terça-feira (11), após a citação do nome dele nas delações, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.

O último citado foi o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), que teria recebido R$ 300 mil via caixa dois. Os delatores afirmaram que o valor foi pago para "manter a boa relação da Odebrecht" com o político.

Em nota, a assessoria de comunicação de Iris informou que "todos os recursos de suas campanhas eleitorais foram apresentados ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e devidamente aprovados". Destacou ainda que "não tem nenhum conhecimento sobre o repasse de qualquer quantia não declarada às suas campanhas eleitorais".

Por fim, Iris destacou que está tranquilo sobre o caso e se coloca à disposição para ajudar com a investigação.

Também serão alvo de investigação a licitação da ferrovia de integração Oeste-Leste e as obras do novo Aeroporto de Goiânia. Os casos foram remetidos à Justiça Federal em Goiás.