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Ministério investiga empresas suspeitas por trabalho análogo à escravidão em GO


Operação resgatou 21 funcionários que estavam morando em alojamentos improvisados nas proximidades de obra, em Guapó. Salários também estavam atrasados.


Trabalhadores resgatados viviam em alojamentos improvisados, em Guapó (Foto: Arquivo pessoal/Roberto Mendes)

O Ministério do Trabalho e Emprego em Goiás (MTE-GO) investiga a contratação de 21 trabalhadores em condições análogas às de escravidão em Guapó, na Região Metropolitana de Goiânia. Conforme o auditor responsável pela operação, Roberto Mendes, a equipe foi acionada após uma denúncia anônima.

“Nós fomos alertados sobre condições precárias de trabalho em obras de conjuntos habitacionais na cidade de Nova Crixás, no entanto, ao chegarmos lá não havia trabalhadores, acreditamos que alguma informação sobre a nossa visita vazou. As mesmas empresas responsáveis pelas obras também atuavam em Guapó, para a construção de 263 moradias, por isso fomos até lá e encontramos pessoas morando nas imediações da obra”, relatou ao G1.

Segundo Mendes, os alojamentos eram precários e, conforme relataram os trabalhadores, para não passar fome, pediam pelancas de carnes nos açougues, cestas básicas nas igrejas e comida aos vizinhos.

“Eles estavam dormindo no chão, sobre pedaços de espumas velhas e alguns sequer tinham colchões. Os locais estavam bastante sujos e também não dispunham de chuveiros, mobília e utensílios de cozinha. Dois alojamentos estavam com fornecimento de água e energia cortado por falta de pagamento”, contou.


Grupo resgatado pedia ajuda da comunidade para não passar fome, segundo o MTE (Foto: Arquivo pessoal/Roberto Mendes)

O auditor destacou que os 21 trabalhadores localizados pelos fiscais estavam com salários atrasados. Além disso, 80% não tinham carteira assinada ou controle de jornada e viviam perto da obra em barracos improvisados porque não estavam recebendo vale-transporte para voltar para suas casas.

“Todos eram moradores das imediações de Goiânia, então, foram resgatados no dia 31 de março e voltaram para suas casas. Eles até compravam das empresas os materiais para trabalhar, como carrinho de mão, pá, entre outros. Eles poderiam ficar com esses itens depois de terminar o serviço. O grupo também não recebia equipamento de proteção individual para trabalhar na obra”, completou.

Os trabalhadores que estavam em Guapó receberam suas verbas rescisórias, que totalizaram R$ 68 mil. Além disso, devem receber do MTE um seguro-desemprego especial pelos três próximos meses, no valor de um salário mínimo cada. Já a obra na qual eles atuavam foi embargada.

O auditor esclareceu que duas empresas são investigadas pela contratação dos trabalhadores. Segundo ele, elas negam a contratação dos 21 funcionários. Uma equipe do MTE apura o envolvimento das organizações, que podem ser autuadas por submeter pessoas às condições análogas à escravidão. Conforme o Mendes, o crime prevê até oito anos de prisão.


Trabalhadores dormiam até em camas improvisadas, em Guapó (Foto: Arquivo pessoal/Roberto Mendes)