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Médico é preso em Valparaíso-GO, por compor "Máfia das Funerárias"



Na manhã de quinta-feira (26), o médico Agamenom Martins Borges foi preso em operação da Policia Civil (Operação Caronte). Segundo os investigadores, o médico estaria envolvido em um esquema de falsificação de atestados de óbito, que chegariam custar até R$ 6.000 (seis mil reais). À priori, a atuação desta organização criminosa se concentrava em todo o Distrito Federal, mas não foi descartada uma possível atuação fora do perímetro. Agamenom Martins é proprietário de uma funerária em Formosa (GO) e ocupa o cargo diretor técnico do Hospital Municipal de Valparaíso no Céu Azul, em Valparaíso de Goiás.

Todo o esquema foi desarticulado pela Corregedoria-Geral da PCDF, com apoio do Mistério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Segundo as investigações, os agentes criminosos vendiam atestados de óbito alegando gratuidade, mas na verdade era um valor já embutido no velório e no enterro. Perguntados sobre o nome das funerárias envolvidas, as investigações estavam em cima das empresas Universal e Pioneira, mas não descartaram que poderiam haver outras empresas envolvidas, e que são informações sigilosas até o desfecho do caso. Os policiais cumpriram 12 mandados de prisão temporária e 12 de busca e apreensão em residências dos suspeitos e nas funerárias envolvidas.

“São várias pessoas envolvidas”, disse o delegado Marcelo Zago da Corregedoria da PCDF.

Diretor Técnico do HMV, o médico Agamenom Martins Borges.

Eram inúmeras as formas e ações para conseguir manter o esquema em atividade. Quando alguém aparentava ter morrido naturalmente, a corrida era chegar antes do rabecão (nome dado ao carro do IML). A forma que encontravam para vencer a disputa, eram os equipamentos que copiavam a frequência da PCDF sobre as mortes aparentemente naturais, equipamentos presos durantes as buscas. De outra maneira, os “papa-defuntos” atuavam nos hospitais oferecendo serviços ilícitos, menos burocrático e menos doloroso aos familiares.

Voltando ao município de Valparaíso de Goiás, o médico assumiu o posto de diretor técnico do HMV após a exoneração de Bonivone Gomes. A ex-diretora da unidade teve uma briga com o Secretário de Saúde Leonardo Esteves, briga esta, que gerou um desgaste político muito grande na base de governo. Diferente das informações passadas, a diretora geral do HMV é a Vanderli Miranda Carvalho. O Valparaíso Legal tentou contato por duas vezes com o prefeito Pábio Mossoró para saber seu posicionamento sobre o caso do Dr. Agamenom, onde não obteve contato.

Em contato telefônico, o Dr. Leonardo Esteves esclareceu a situação:

“Boa tarde. Como responsável pela saúde municipal gostaria de esclarecer algumas coisas. A indicação do Dr. Agamenom foi minha, por acreditar na seriedade e na prestatividade que o mesmo sempre havia exercido quando o conheci na Maternidade São Camilo em Formosa (GO) em 2016. Quando lhe fiz o convite, foi pela sua experiência médica e jurídica, já que o mesmo é médico e advogado. Acreditei que este perfil era o ideal para o credenciamento do HMV. Quando recebi a notícia, fiquei muito chateado e encaminhei o pedido ao prefeito Pábio Mossoró de exoneração do Agamenom. Não vamos aceitar isso em Valparaíso”, encerrou.

Confira nota na íntegra da Polícia Civil do Distrito Federal:

“A Polícia Civil do DF (PCDF) realiza, desde as primeiras horas desta manhã (26), a Operação Caronte. A ação tem por objetivo desarticular uma organização criminosa que ludibriava famílias de vítimas de morte aparentemente natural, com a finalidade de obter vantagens ilícitas. Na ação, foram cumpridos 12 mandados de prisão temporária e 12 de busca e apreensão nas residências dos suspeitos e em funerárias envolvidas no esquema. A operação contou com a participação de policiais da Corregedoria-Geral, dos Departamentos de Polícia Especializada (DPE) e Circunscricional (DPC) e da Divisão de Operações Especiais (DOE) da PCDF. As investigações, conduzidas pela Divisão de Assuntos Internos (DAI), com o apoio da Divisão de Inteligência Correcional – unidades vinculadas à Corregedoria-Geral da PCDF –, e do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), demonstraram que donos de funerárias, agentes funerários, funcionários de hospitais e um médico participavam do esquema ilícito. Os policiais desvendaram que os suspeitos captavam sinais de rádio transceptor da polícia e colhiam dados sobre os locais das mortes aparentemente naturais. Com as informações, faziam contato com as famílias, fazendo-se passar por servidores de instituições públicas, como IML/PCDF, o Serviço de Verificação de Óbitos (SVO/DF) e INCOR-DF. Por meio dos contatos, os criminosos informavam sobre suposta parceria para atestarem o óbito fora do IML, alegando que o processo seria mais rápido e “menos doloroso”. Para completar o golpe, as funerárias retornavam para as famílias e confirmavam a informação, oferecendo serviço médico de atestado de óbito, bem como serviços funerários. Ainda, de acordo com as investigações, as funerárias, com o apoio de funcionários de hospitais públicos, informavam diretamente aos criminosos sobre a morte ocorrida em hospitais, antes mesmo de passar pela polícia. As mortes eram então atestadas falsamente por um médico ligado à associação criminosa, que sequer examinava os cadáveres pessoalmente.

Divisão de Comunicação/DGPC #PCDFAgora #PCDFemAção PCDF, excelência na investigação.”

Confira quem são os alvos da operação:

– Agamenon Martins Borges – Reandreson Miranda dos Santos – Miriam Sampaio dos Santos – Alex Bezerra do Nascimento – Jocileudo Dias Leite – Valtercícero dos Santos – Samuel Aguiar Veleda – Cláudio Barbosa Maciel Filho – Cláudio Barbosa Maciel – Augusto Cesar Ribeiro Dantas – Conrado Augusto de Farias Borges – Marcelo de Oliveira Silva

Caronte Batizada de Caronte, o nome da operação é uma referência ao barqueiro da mitologia grega, que cobrava pelo transporte das almas do mundo dos vivos para o mundo dos mortos, através de um rio controlado por ele.

O Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (NCAP), a 4ª Promotoria de Defesa da Saúde (Prosus), a Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde (Pró-vida) e a Corregedoria-geral da Polícia Civil do DF participam das buscas.