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“A função do Estado é ouvir e estender a mão a vocês ”, afirma Gracinha Caiado em Colinas de Goiás


Dando continuidade às ações do Gabinete de Políticas Sociais, a primeira-dama, acompanhada do secretário Rafael Rahif, visitou escolas estaduais, quadras de esporte e o assentamento Terra Mãe, para ouvir as demandas da população e encontrar soluções e parcerias possíveis. “Criamos um movimento chamado ‘Pé no Chão’, para estarmos nos municípios, vendo ali o que realmente pode acontecer”


O município de Colinas do Sul, a 393 quilômetros da capital, na região Nordeste do Estado, foi o destino da primeira-dama Gracinha Caiado na última quarta-feira (29/5), para dar sequência às ações do Gabinete de Políticas Sociais, do qual é coordenadora. O Gabinete trabalha para melhorar a condição de vida de goianos em situação de privação não só de recursos, mas também de infraestrutura e de diversos serviços, identificados no Índice Multidimensional de Carência das Famílias de Goiás (IMCF). Cercado pela bela paisagem da Chapada dos Veadeiros, Colinas do Sul é o segundo dos 10 municípios com maior índice de famílias em estado de vulnerabilidade (0,2676%), ficando atrás apenas da vizinha Cavalcante (0,2296%).

O objetivo nesta e em outras visitas é conhecer de perto a realidade e as “verdadeiras necessidades do Estado”. “Não acredito que alguém consiga administrar ou ver as coisas em uma sala com ar-condicionado, longe, sem sentir verdadeiramente a carência e a necessidade do povo”, afirmou Gracinha durante reunião na Câmara Municipal, compromisso que abriu a agenda. Acompanhada do secretário estadual de Esporte e Lazer, Rafael Rahif, a primeira-dama foi recepcionada pelo prefeito Adriano Passos, pela primeira-dama Taiana Teles, presidente da Casa Valdir da Costa (Badica). Antes, houve apresentação do Grupo Batuque Caçada da Rainha, que este ano chega aos 67 de história.

“Eu não vim aqui pedir voto, o que vim fazer aqui foi ouvir e descobrir o que o governo do Estado de Goiás pode fazer pelo município. Quando Ronaldo [Caiado] chegou ao Governo de Goiás, tive muita preocupação sobre o que nós realmente poderíamos fazer. Naquela hora, já disse a ele que teríamos que ter um cuidado especial com os mais vulneráveis. E o que estou fazendo aqui não é nenhum favor. É obrigação de um governante, que quando ali chega, tem dever de olhar por todo o povo de Goiás, mas um carinho especial com menos chances de oportunidades. E essa é minha função aqui: estender a mão”, comentou Gracinha.

O prefeito Adriano Passos elogiou a iniciativa de Gracinha, ressaltando que foi a primeira vez que uma primeira-dama esteve em Colinas do Sul. “Ela havia dito em nosso encontro em Goiânia que mandaria uma equipe aos dez municípios; passou uma semana e chegou aqui. Hoje, ela cumpre o compromisso de estar aqui em Colinas do Sul. É esse tipo de atitude que a gente precisa no Estado de Goiás. E ela não veio para fazer política, ela veio para ver nossas necessidades”, elogiou. A primeira-dama Taiana Teles diz que o povo do município conta com essa parceria com Gracinha para alcançar melhorias que serão significativas. Ela apontou, entre as principais demandas, a questão do saneamento básico. “Isso afeta muitas pessoas, que são extremamente humildes. Temos aqui três assentamentos e o que a gente precisa é de ajuda para esse povo”, detalhou.

“Pé no chão”

Gracinha explicou a filosofia de trabalho da nova gestão, com perfil pragmático. “Nós criamos um movimento chamado ‘Pé no Chão’, para estarmos nos municípios, vendo ali o que realmente pode acontecer. Percebo que, quando nos encaminham fotos, a imagem nem sempre reproduz a realidade. E o que o governo Ronaldo Caiado propõe é uma verdadeira mudança, para o bem do povo de Goiás. Fazer a diferença na vida do que tem menos oportunidades”, explicou. Desta forma, terminada a reunião na Câmara, foi hora de gastar sola de sapato. A primeira-dama começou sua seqüência de visitas na Escola Estadual Joaquim Tomaz Ferreira a Silva, que atende a 420 alunos.

Conduzida pela diretora Silmeire Peixoto, Gracinha conheceu as instalações e bateu um papo com alunos e professores. Entrou nas salas de aula, cantina e banheiros, atenta a todos os detalhes, como organização do quadro negro, limpeza dos ambientes e instalações. Nem o cardápio da merenda servida passou despercebido. Retorno do ensino integral e a oferta de Ensino Médio noturno, para que os alunos possam trabalhar durante o dia, bem como a disponibilização de veículo para que os estudantes da noite possam se deslocar de casa à escola em segurança, foram algumas das reivindicações apresentadas. “Precisamos ter condições de trabalhar de dia e ajudar em casa”, argumentou Naila Soares Gonçalves, de 14 anos, diretamente a Gracinha. Professora de Língua Portuguesa, Agda da Silva comentou que seria importante o acesso à internet para facilitar a pesquisa e aprendizado dos alunos.

A primeira-dama também distribuiu kits com enxoval para algumas alunas gestantes e na sua despedida, deixou uma mensagem para os alunos. “Cuidem da escola, ela é de vocês.” Em seguida, Gracinha aproveitou para ir à quadra de esportes do município, que fica ao lado da unidade de ensino, bem como ao Colégio Municipal Maria Auxiliadora. Ações voltadas para o Esporte e Lazer estão no escopo do governo, como o projeto Movicidade, com a implantação da iniciação esportiva e capacitação de monitores locais em Colinas do Sul, carente de tais opções. “No entanto, meu objetivo hoje foi conhecer e ouvir a população. Já me disseram que tem quadra que não é coberta. É preciso verificar a infraestrutura pré-disponível, para termos real compreensão do que podemos e devemos fazer”, explicou Rafael Rahif.

Prioridades

Na sequência, Gracinha Caiado participou de uma reunião na sede do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) com representantes de vários segmentos, como Saúde, Educação e Assistência Social, que apresentaram à primeira-dama as maiores carências do município. O objetivo é criar um canal de interação entre as três áreas nos âmbitos municipal e estadual.

O médico Renato Nascimento Araújo explicou que o hospital municipal, além de estar interditado por ser uma obra muito antiga e por falta de alvará, é de baixa complexidade, o que limita o atendimento a diagnóstico clínico, não havendo estrutura para raio-x e ultrassom. “Uma simples coleta de sangue, cujo resultado poderia ficar pronto aqui mesmo, em 20 minutos, só conseguimos com um dia de atraso, pois é preciso que o material seja levado à próxima cidade, a 90 quilômetros”, conta.

A primeira-dama lembrou que o governador em breve estará inaugurando as primeiras das 17 policlínicas, que permitirão desafogar sistema de saúde e regionalizar a oferta de especialidades médicas pelo interior. Durante a reunião, os participantes também pediram a reinclusão do município no projeto “Criança Feliz”, a criação de um Cras em Alto Paraíso, mais investimentos em saneamento básico e no turismo da região. “O governo obviamente não pode fazer tudo. Não vim prometer a vocês mundos e fundos, mas o que posso garantir é que vou brigar. E vai haver ajuda do governo para o município. Vejam em mim uma grande parceira”, disse Gracinha.

Esperança

Na segunda parte da visita, à tarde, foi hora de por o pé na estrada rumo ao distrito de Vila Borba, onde Gracinha conheceu professores e alunos da Escola Estadual Antônio Rodrigues dos Santos. A diretora também mostrou a Gracinha uma área na qual será feita uma horta e acompanhou a primeira-dama até a quadra, que além de reparos no piso, precisa de cobertura que proteja os alunos do sol. “Vamos cobrir”, garantiu Rafael Rahif.

Uma das pioneiras da unidade, Alice Batista Vieira, a dona Alicinha, estava presente e comovida. Desde 1979, o colégio faz parte de sua vida, tendo estudado e trabalhado como professora até a aposentadoria. “Fiquei emocionada ao saber da vinda da Gracinha. era o que eu mais queria, recebê-la, porque não existe outra razão para Vila Borba existir além da escola”, suspirou.

A última parada foi no assentamento rural de Terra Mãe, ao qual se chega após 13 quilômetros de difícil percurso em estrada de chão. De imediato, cartazes feitos com cartolina revelavam os dois maiores problema daquelas pessoas: falta de água e de energia elétrica. Homens, mulheres, crianças e idosos que ha 10 anos viviam esquecidos sobrevivendo do que a terra dá. Todos se espremiam na varanda da sede do assentamento para o encontro com Gracinha. Com sua simpatia, a primeira-dama quebrou o gelo, e logo a timidez inicial deu lugar a várias manifestações populares.

Gracinha fez questão de visitar a habitação de uma das assentadas, Arlete Cândida de Jesus Bahia, que há sete anos vive no local, com o esposo e seis filhos. Precária, a moradia não tem banheiro e Arlete precisa caminhar todos os dias até a cisterna mais próxima para encher baldes com água, uma vez que a fossa que cavou não conseguiu achar uma fonte. Realidade muito semelhante à de dona Elzita Alves de Souza, que há 36 anos deixou a Bahia para buscar oportunidades em Goiás. Hoje, cria galinhas, algumas vacas e mandiocas. Esse ano, perdeu todo milho que plantou por falta de chuva. “Tive que me endividar, comprando um carrinho para poder carregar água. Mas Deus e o governo vão me ajudar”.

O pernambucano Antônio Barbosa Pereira, o “Paraíba”, de 66 anos, veio para Goiás em 1985 e há seis anos vive no assentamento. “Situação aqui é precária. Estou aqui nesses seis anos sem nada, pedindo esmola. Esse Goiás sempre foi uma calamidade. Lá no Sobradinho eu era rico, tinha minha água”, reclamou o agricultor. O presidente do assentamento Osmar Macedo, o Mazinho, afirma que muitos ofícios que haviam sido encaminhados ao Incra foram “engavetados” ao longo do tempo. “Não temos nada aqui. São 10 anos dessa ‘sofrência’. Levantamentos todos esses ofícios e passamos para a Gracinha. Ela tem a chave na mão, essa oportunidade com o governador para fazer esse trabalho”, animou-se.