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Bolsonaro assina MP que busca agilizar venda de bens apreendidos de traficantes

Por se tratar de medida provisória, texto tem força de lei a partir da publicação, mas precisa ser aprovado pelo Congresso. Assinatura aconteceu em cerimônia no Planalto.

Por Gustavo Garcia, Gabriel Palma e Roniara Castilhos, G1 e TV Globo — Brasília

17/06/2019 17h58 Atualizado há 3 semanas


O presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, ao assinar a MP sobre venda de bens de traficantes — Foto: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta segunda-feira (17) uma medida provisória (MP) que tem o objetivo de agilizar a venda e a utilização de bens apreendidos de traficantes de drogas.


A MP foi assinada em uma cerimônia no Palácio do Planalto, da qual participaram algumas autoridades entre as quais os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Sérgio Moro(Justiça), além da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e parlamentares.


>> Saiba mais abaixo como foram os discursos na cerimônia


Por se tratar de uma medida provisória, o ato do presidente terá força de lei assim que publicado no "Diário Oficial da União". Para se tornar uma lei em definitivo, porém, a MP precisará ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias.


Veja vídeo:

O que diz a medida provisória


De acordo com o Ministério da Justiça, as novas regras previstas na MP darão "maior eficiência e racionalidade" na gestão dos bens apreendidos de traficantes.


Segundo a pasta, a MP permitirá converter mais rapidamente os bens apreendidos em recursos financeiros e, além disso, aplicá-los em investimentos sociais. Os valores poderão ser utilizados, ainda de acordo com o ministério, antes mesmo do fim do processo judicial.


O ministério diz que a MP também permitirá aos estados receber os recursos de forma mais "célere", "bastando a assinatura de termo de adesão com a demonstração do atendimento das condicionantes", reduzindo os cursos com manutenção de depósitos.


Ainda conforme o governo, a proposta prevê que recursos oriundos de alienação de bens serão diretamente depositados em conta do Tesouro. Isso, segundo o Ministério da Justiça, antecipa em pelo menos cinco anos o período de entrada do dinheiro nos cofres públicos.


Alienação de bens


Atualmente, a lei já prevê a alienação antecipada dos bens. De acordo com a Política Nacional sobre Drogas, se for verificado o risco de perda de valor econômico em razão do tempo, será feita a avaliação do bem, que poderá ser colocado em leilão.


Uma resolução do Conselho Nacional de Justiça recomenda a alienação dos bens mesmo antes do trânsito em julgado para preservar o valor atual.


Mas, segundo integrantes do Ministério da Justiça, as questões relacionadas à alienação dos bens "passam batidas" pelos juízes e pelo Ministério Público. No decorrer da ação penal, avaliam esses integrantes, os pedidos e a concessão da alienação de bens costumam ficar em segundo plano.


Esses bens são frutos de diversas ações policiais. Na maior parte, são operações realizadas pelas polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal que resultam em apreensões ligadas a drogas em rodovias, em que os veículos, celulares e outros itens são apreendidos.


Após as apreensões, a Justiça pode dar dois destinos para os bens: a utilização deles pelos órgãos de segurança, na repressão e prevenção ao uso de drogas, ou a alienação.


Estoque de bens apreendidos


De acordo com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, há quase 80 mil bens apreendidos em operações relacionadas ao tráfico de drogas em todo o país.


Ainda conforme o órgão, aproximadamente 30 mil bens já têm sentença em trânsito em julgado – quando não cabe mais recurso – e estão prontos para leilão.


Total de bens apreendidos (77.251);


37.518 veículos;916 imóveis;314 aeronaves;246 embarcações;1.608 joias;36.649 bens diversos.


Bens apreendidos prontos para leilão (29.429);


9.970 veículos;459 imóveis;25 aeronaves;18.975 bens diversos.


Discursos


Primeiro a discursar na cerimônia, o ministro Sérgio Moro afirmou que a medida provisória editada por Bolsonaro é "bastante simples", mas "bastante relevante e urgente". Isso porque, segundo o ministro, o estoque de bens apreendidos era alto, mas o ministério não tinha capacidade de realizar a venda "em tempo hábil".


"Se o tráfico de drogas é tão lucrativo, temos que aproveitar melhor os recursos", destacou o ministro.

De acordo com Moro, os valores relativos aos bens apreendidos poderão ser usados na política de prevenção, em campanhas e no atendimento a dependentes químicos, por exemplo. Segundo o ministro, a utilização dos recursos não dependerá do chamado trânsito em julgado, ou seja, quando o processo terminar na Justiça não couber mais recursos.


Ainda segundo Moro, por meio da MP, o Ministério da Justiça poderá contratar engenheiros responsáveis pela elaboração de projetos de construção e reforma de presídios.


"Nós precisamos de melhores presídios. Um presídio mais bem estruturado acaba sendo uma estrutura apta a diminuir o poder das facções criminosas sobre a população carcerária. Com um presídio adequado, podemos conseguir fazer com que os presos trabalhem, se afastem das facções criminosas, facilitando a reabilitação e tendo condições mais humanas nos presídio", afirmou.


Em seguida, Bolsonaro discursou. Disse que a medida provisória dará "munição" a Moro para que o governo possa garantir os recursos necessários para combater o crime organizado.


Ao se dirigir ao ministro da Justiça, afirmou que Moro é motivo de "honra, satisfação e orgulho" não só para ele, mas, sim, para "todos os brasileiros de bem".


Bolsonaro afirmou também que o ministro é um "símbolo" daqueles que querem "mudar o país".