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Chanceler brasileiro diz que não houve golpe na Bolívia; Bolsonaro defende voto impresso no Brasil

BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo brasileiro considera que a renúncia do presidente da Bolívia, Evo Morales, não representa um golpe, uma vez que uma “tentativa de fraude eleitoral maciça deslegitimou” o líder boliviano, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.


Por Lisandra Paraguassu e Pedro Fonseca

11 DE NOVEMBRO DE 2019 / ÀS 08:01 / HÁ 2 HORAS


Manifestante durante protesto contra presidente da Bolívia, Evo Morales, em La Paz 10/11/2019 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Morales renunciou ao cargo no domingo em meio a uma grave crise política deflagrada por acusações de fraude na eleição de outubro que o reconduziria ao poder.


“Não há nenhum golpe na Bolívia. A tentativa de fraude eleitoral maciça deslegitimou Evo Morales, que teve a atitude correta de renunciar diante do clamor popular. Brasil apoiará transição democrática e constitucional. Narrativa de golpe só serve para incitar violência”, disse o chanceler brasileiro em publicação no Twitter, no domingo.


O Ministério das Relações Exteriores informou que a posição do ministro, assim como postagem do presidente Jair Bolsonaro na mesma rede social, contêm a posição do Brasil sobre a questão boliviana.

Em sua publicação, Bolsonaro disse que a renúncia de Bolsonaro traz como lição para o Brasil a necessidade do voto impresso para que as eleições possam ser auditadas.


“Denúncias de fraudes nas eleições culminaram na renúncia do presidente Evo Morales. A lição que fica para nós é a necessidade, em nome da democracia e transparência, contagem de votos que possam ser auditados. O voto impresso é sinal de clareza para o Brasil!”, afirmou.


A renúncia de Morales, anunciada pela tevê, ocorreu horas depois de o líder convocar novas eleições, pressionado por um relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA), divulgado na madrugada de domingo, que indica “irregularidades” nas eleições de outubro.


A convocação de nova eleição foi rejeitada pela oposição, que pediu a renúncia de Morales, assim como as Forças Armadas.


Morales, que assumiu o poder em 2006, ganhou as eleições em 20 de outubro, mas a contagem dos votos foi suspensa inexplicavelmente durante quase um dia, o que provocou acusações de fraude e deflagrou protestos da oposição, greves e bloqueios de estradas no país.


O Itamaraty também informou que não recebeu qualquer pedido de sobrevoo da parte de Morales, após relatos da mídia boliviana no fim de semana de que o governo brasileiro teria proibido Morales de sobrevoar o país.